Categoria: Cinema


O Que é o Fluminense

(por Amanda Pontes, originalmente publicado no blog Primo Cruzado, no dia 08/12/2009)
 
Audrey Hepburn uma vez disse… Mas, peraí, por que estou citando Audrey Hepburn? O que ela pode ter a ver com o assunto? Calma, para quem não se lembra, Audrey, além de dona do rosto mais perfeito que o cinema já viu, era aquela elegantérrima atriz de traços pequeninos e delicados que surgiu para o cinema em uma época em que tipos como o dela não davam lá muito ibope.
 
Era a época de musas curvilíneas, roliças e peitudonas, de cintura fina de pin-up e uma beleza estilo perua como a de Elizabeth Taylor, ou de (falsas) louras fatais como Marylin e Jane Mansfield.
 
E Audrey, magrinha e sutil, com seu rosto perfeito e suave, sua beleza discreta e seus sapatos sem salto, foi acusada de não ter sex appeal. Certa vez, um produtor disse que ela não era uma mulher que os homens quereriam levar para a cama. Ao que ela respondeu: Eu não sou a mulher que os homens querem levar para a cama. Sou a mulher por quem os homens se apaixonam.
 
O Fluminense também é assim. O Fluminense não é a louraça gostosona. Não é a peituda belzebu. Não é o mulherão que atrai de cara todos os olhares. Não.
 
O Fluminense exige mais. O Fluminense é sutil. É refinado. É mais difícil. Não foi mesmo feito para multidões, não, ele é mais selecionado. Ele exige apuro no paladar.
 
Paciência. Alguma maturidade. Discrição. Não tem vontade de aparecer, de ser sempre o centro das atenções. Não é megalômano. Não é dionisíaco.
 
Tem o seu discreto charme. Sabe o valor do verdadeiro refinamento, aquele que se revela nos detalhes, na constância, na simplicidade.
 
O Fluminense é a mulher mais linda da festa, mas que não faz questão de chamar atenção para sua beleza o tempo todo.
 
É a mulher que se senta quieta em sua mesa, enquanto as outras vão disputar o centro da pista. O Fluminense é aquele homem que ganha a moça na conversa, devagar, aos poucos, falando baixo.
 
É aquele livro que não está na lista dos mais vendidos, mas que se chega às suas mãos, transforma sua vida. É aquele filme independente, que não vai estourar nas bilheterias, mas com um conteúdo inesquecível. Não é micareta, é um diálogo. Não é bombação, é intimidade. Não é o point, é selecionado. Não é jamais histérico. É sempre sutil.
 
Não é nada, nada fácil ser Fluminense. Exige segurança o suficiente para nadar contra a corrente. Não ser Maria vai com as outras. Não se deixar levar pelo oba-oba da maioria.
 
É saber, às vezes, sustentar sozinho uma conversa em mesa de bar. É ter a certeza de que quantidade e qualidade podem ser diametralmente opostos. É saber que jamais, jamais, em tempo algum, se contará com qualquer apoio da mídia e das organizações oficiais.
 
É saber que a luta que se luta só é mais difícil, mas tem mais valor. É ter consciência de caminhar solitário, mas jamais abandonar seu caminho. É desafinar o coro dos contentes. É nadar contra a corrente. E, acima de tudo, ter fé no amor.
 
Sim, fé no amor, mas não esse amor de multidão, esse amor comum, esse amor de bêbado, de beira de calçada, de fim de noite. Não. Isso, para nós, é pouco. Amor, para nós, é eterno, é absoluto, independente de qualquer circunstância.
 
Nossa história, que se confunde com a própria história do futebol brasileiro, essa história de imensas glórias, de imortais craques, de eternos ídolos e incontáveis conquistas, sofreu sérios arranhões na década de 90, a partir de quando nos tornamos a Geni do futebol brasileiro. Joga pedra no Fluminense. Joga bosta no Fluminense. Ele é feito para apanhar, ele é bom de cuspir.
 
Mas, mesmo solitários, nós não desistimos. Pois nos sabemos destinados à grandeza, mesmo na derrota. Sabemos que somos únicos, mesmo quando desacreditados. E sabemos que nosso amor é insuperável e inigualável.
 
O Fluminense pode não ser o amado pelo maior número de pessoas, mas certamente recebe o maior amor do mundo daqueles que o amam. Um amor que superou uma década negra como nenhum outro grande clube brasileiro jamais viveu. Um amor que provou errados todos aqueles que diziam que estávamos acabados. Que o fim havia chegado.
 
Coitados…
 
Não previam a nossa capacidade de doação, a grandeza e a profundidade do nosso sentimento. Um sentimento tão absoluto que provou ser o clube uma Fênix infinita, que renasce muitas e muitas vezes.
 
Dane-se a mídia, danem-se as multidões. Dane-se a histeria coletiva. Nós não precisamos deles. Acabamos de dar mais uma prova de nossa grandeza, de nossa criatividade, de nossa originalidade, de nossa devoção. Todas as dificuldades que encontramos só nos engrandecem.
 
Não, não somos para todos. Não, não somos a opção mais fácil. Em torno de nós, não há jamais oba-oba, histeria, rasgação de seda. Sim, somos um espetáculo de público mais selecionado. Sim, nossa sutil grandeza pode não ser percebida. Por isso mesmo, somos como aquela moça citada lá em cima. Não somos o tesão da galera. Não somos a mais gostosa da VIP. Somos muito mais do que isso.
 
Somos puro, verdadeiro, constante, pacifico, sólido, maduro e absoluto amor.
 

Dica de Filme: O Leitor

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Hoje foi um dia muito importante em minha vida, tenho essa impressão. Aconteceram muitas coisas que podem ser decisivas e estou muito pensativo, um pouco triste e esperançoso.

O possível fantasma que lê essas palavras (querido leitor, não se ofenda de como o chamo, digo isso porque às vezes tenho a falsa impressão que escrevo para ninguém) deve estar se perguntando o que o relato anterir tem haver com o filme em si; e eu lhe respondo… Nada. A não ser pelo fato de não existir dia melhor para ter assistido esse filme tão marcante.

 Estou estudando sobre o nazismo no cursinho e ontem quis alugar um filme sobre o assunto. Lembreime da dica de um professor de português a respeito deste maravilhoso filme e resolvi levá-lo pensando: “Consegui um filme sobre o nazismo pra assistir”. Mas esse filme apesar de tremática nazista, é um filme sobre a vida.

 A história de Hanna Schimitz, uma ex integrante da SS analfabeta que se envolveu com um adolescente Michael Berg, que mais tarde viria a assistir o julgamento da primeira mulher de sua vida como estudante de direito (curso que pretendo fazer) vendo-a assumir mais culpa do que lhe deveria ser imposta e não podendo fazer nada para ajudá-la por uma obrigação moral com a ré é realmente impressionante, uma lição de vida. Um filme para refletir. Possivelmente o melhor da minha vida até agora.

 

Dizia-se que havia aparecido à beira-mar uma nova perso-

nagem: uma senhora com cachorrinho. Dmítri Dmítritch Gurov,

que já passara em lalta -duas semanas e habituara-se àquela

vida, começou a interessar-se também por caras novas. Sentado

no pavilhão de Verne, viu passar à beira-mar uma jovem

sennora, de mediana estatura, loura, de boina. Corria atrás dela

um lulu branco.” (A Dama do Cachorrinho – Anton Checkhov)

Sinopse

Nos anos de 1950, pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial, o jovem Michael Berg adoece e passa a ser cuidado por uma bela e estranha mulher, Hanna, que tem o dobro de sua idade. Michael logo se recupera, mas Hanna foi embora. Ao encontrá-la, os dois têm um breve mas intenso romance. Uma paixão cada vez maior, temperada com as leituras de obras clássicas que Hanna sempre faz para o amado. Apesar disso, Hanna misteriosamente desaparece outra vez. Passados oito anos, Michael é agora um aluno de Direito que acompanha julgamentos de crimes de guerra cometidos pelos nazistas. É nesse momento que Hanna reaparece na vida do rapaz. Mas para a surpresa dele, a mulher está no banco dos réus do Tribunal. Enquanto o passado de Hanna é revelado, Michael descobre um segredo que poderá impactar na vida de ambos.

Fonte Sinopse: Cine Menu

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