Zé Robero e Luca Toni

 

Gerd Wenzel

 
Deu no “tz”, diário de Munique, na última quarta-feira: Zé Roberto vai deixar o Bayern de Munique porque não houve acordo sobre a duração do próximo contrato. O Bayern ofereceu um ano, mas Zé Roberto queria dois.  
     
A novela da renovação do contrato de Zé Roberto vem se arrastando desde o início da temporada que passou. Enquanto não se resolvia a questão, Zé, profissional como é, fez o que pôde para ajudar o clube na sua tentativa de mais um título: jogou na lateral esquerda, atuou como segundo volante, fez o papel de meia armador, seja pela esquerda, seja pela direita; só faltou fazer chover. Mas, como uma andorinha só não faz verão, o glorioso Bayern teve que se contentar com um medíocre vice-campeonato, sem contar o vexame pelo qual passou diante de Barcelona na Champions League e Wolfsburg na Bundesliga.                         
        
Enquanto isso, os cartolas bávaros, leia-se Rummenigge e Hoeness, faziam todas as vontades do “messias” Jürgen Klinsmann, cuja missão declarada era inaugurar e implementar uma nova era na história do então campeão alemão.
        
Klinsmann exigia e era imediatamente atendido:      
     
“Preciso de um novo centro de treinamento!” Perfeitamente sr. Klinsmann, é para já. E lá se foram milhões de Euros para o Centro de Aperfeiçoamento Profissional preconizado pelo “messias”.
   
“Preciso um lateral direito – tem que contratar o Oddo”. Perfeitamente sr. Klinsmann, é para já. E lá vem o veterano Oddo com quem o Milan já não sabia mais o que fazer.
             
“Pode dispensar o Jansen!” Perfeitamente sr. Klinsmann, é para já. E lá se vai um dos melhores laterais esquerdos alemães que ainda por cima poderia ser aproveitado no meio de campo.
        
“Preciso do Landon Donovan para reforçar o ataque”. Perfeitamente sr. Klinsmann, é para já. E lá vem um atacante norte-americano que não faz gol e não serve os companheiros de profissão: em 13 jogos na Bundesliga, nenhum gol e apenas uma assistência.             
   
“Preciso de estátuas de Buda no centro de treinamento”. Perfeitamente sr. Klinsmann, é para já. E lá vem meia dúzia de estátuas enormes de Buda para supostamente trazer bons fluídos e tranqüilidade espiritual para os jogadores.        
   
A cada pedido do “messias da nova era”, os srs. Rummenigge e Hoeness saíam correndo para fazer a sua soberana vontade. Era Deus no céu e Klinsmann na terra para os cartolas bávaros.
  
Deu no que deu: eliminado prematuramente da Copa da Alemanha e da Champions League, o Bayern teve que fazer das tripas coração para conquistar (?) o vice-campeonato alemão. Sem esquecer que a 5 rodadas do final, a diretoria finalmente se encheu de coragem e demitiu o seu “messias” que prometeu venturas eternas e por pouco não levou a equipe ao inferno.  
     
E agora essa mesma diretoria, que endossou sem exceção todos absurdos cometidos pelo “messias”, vem a público, na pessoa do seu presidente executivo Rummenigge, para dizer que não renova com Zé Roberto por 2 anos porque se trata de um jogador de 34 anos e que esse procedimento seria contra a política de recursos humanos do clube?       
   
Mas jogar milhões e milhões de Euros pelo ralo com um “falso messias”, isso pode? 
  
Está de parabéns o Zé Roberto pela sua atitude elegante quando soube da decisão dos cartolas. Clube certamente não faltará para esse extraordinário jogador e, acima de tudo, ser humano que dignificou como poucos a sua profissão.

Fonte: Bundesliga.com.br 

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