Faltando pouco mais de 24 horas para o encerramento da janela de transferências do futebol europeu , o atacante Robinho segue manifestando o desejo de deixar o Real Madrid e seguir para o Chelsea. Em entrevista coletiva neste domingo, o brasileiro mostrou-se irritado com o time espanhol e garantiu que não tem mais clima para seguir no Santiago Bernabéu.

“A situação não mudou nada. Continuam as negociações, eu sigo com a mesma idéia de sair do Real Madrid; quero jogar no Chelsea. Disse isso ao presidente (Ramón Cálderon), aos diretores e ao treinador(Bernard Schuster). Pela enésima vez digo perante a imprensa. O treinador ainda acredita que pode me recuperar, mas minha cabeça está no Chelsea. Ele não é meu pai, é meu técnico”, apontou Robinho, que aproveitou para mandar um recado para o treinador do time merengue.

“Não vou me recusar a jogar se tiver que ficar no Real, mas se o Schuster quer manter um jogador insatisfeito no time, a responsabilidade é dele”, declarou o brasileiro, que não foi relacionado para a estréia do time no Campeonato Espanhol, neste domingo, contra o La Coruña.

Contratado em 2005 como mais um “galático” para o time que contava com jogadores como Ronaldo e Zidane, Robinho admitiu ter se sentido desprestigiado com a insistência da diretoria do clube merengue em trazer o português Cristiano Ronaldo para a temporada 2008/2009.

“Desde maio (de 2008) estamos tentando renovar o contrato, mas eles se esquivaram porque estavam certos da contratação do Cristiano Ronaldo. Ninguém veio, e agora não querem me deixar sair”, desabafou o camisa 10 do Real Madrid.

“O presidente (do Real Madrid, Ramón Calderón) disse que se houvesse uma boa oferta, ele me liberaria. Já tenho uma grande proposta do Chelsea e não sei o que posso fazer além disso”, questionou Robinho, que deixaria o Real Madrid por 40 milhões de euros.

Fonte: Gazeta Esportiva

Ronaldinho Gaúcho apresentou um bom futebol em sua estréia hoje no Milan. Só os eu futebol, no entanto, não foi suficiente para impedir que o time perdesse de 2 a 1 para o Bologna logo na estréia no Campeonato Italiano, em casa.

Com boa movimentação e passes precisos, o brasileiro foi o principal jogador do apagado Milan, que fica sem nenhum ponto, enquanto o Bologna soma três em seu retorno à Série A italiana depois de três temporadas ausentes.

Mesmo com o Milan apresentando um futebol pouco ofensivo, Ronaldinho se apresentava e criava as principais chances do time da casa. Em uma delas, aos 16 minutos do primeiro tempo, o brasileiro arriscou da intermediária, de bico, e a bola passou com perigo.

Contudo, o Bologna abriu o placar aos 18 minutos. Dentro da área, o veterano Di Vaio acertou um bom chute no canto de Abbiati e fez 1 a 0.

Após sofrer o gol, o Milan aumentou a pressão, sempre em lances de Ronaldinho. Aos 34 minutos, o brasileiro deu um lindo passe para Inzaghi, que chegou a driblar o goleiro adversário, mas chutou para fora.

Sete minutos depois, porém, o time da casa empatou. Ronaldinho recebeu na esquerda e cruzou para Ambrosini, que cabeceou e marcou.

Na volta para o segundo tempo, o Milan continuou dominando a partida, mas não criava chances efetivas de gol e acabou castigado aos 33 minutos, quando Di Vaio rolou para Variani, que acertou um belo chute e decretou o resultado final.

Lazio e Torino vencem e lideram

Nas outras partidas da rodada, destaque para as vitórias da Lazio sobre o Cagliari, por 4 a 1, e do Torino sobre o Lecce, por 3 a 0. Com os respectivos triunfos, os dois times lideram a competição.

Outros resultados do Campeonato Italiano

Roma 1 x 1 Napoli
Atalanta 1 x 0 Siena
Catania 1 x 0 Genoa
Chievo 2 x 1 Reggina

Complemento da rodada

Ainda neste domingo, Fiorentina e Juventus fazem o último jogo da rodada de abertura do Calcio.

Fonte: Gazeta Esportiva

Desde que o clube começou a contratar jogadores, muitos torcedores do Flamengo passaram a escrever comentários neste blog e enviar e-mails com dúvidas sobre os negócios fechados pelo clube. O vice-presidente de futebol, Kleber Leite, enviou e-mail à imprensa com explicações. Parte desses números publicamos em post recente — veja aqui.

Há atletas emprestados e adquiridos por investidores. O dirigente frisa que “saíram nove jogadores e entraram nove”. Alguns foram liberados para o Paraná Clube em troca da antecipação da liberação de Everton. Mas vamos aos números, ao balanço da janela de transferência de 2008 na Gávea:

Jogadores que saíram (entre parênteses a entrada de recursos):

  • Rodrigo Arroz (empréstimo)
  • Fabrício (empréstimo)
  • Egídio (empréstimo)
  • Rômulo (empréstimo)
  • Éder (empréstimo)
  • Guilherme Camacho (empréstimo)
  • Renato Augusto (negociado – R$ 13 milhões)
  • Souza (negociado – R$ 4,750 milhões)
  • Marcinho (negociado – R$ 750 mil)

Jogadores que saíram: nove
Recursos arrecadados: R$ 18,5 milhões

Jogadores que chegaram ao Flamengo (entre parênteses todos os gastos com pagamento por compra ou empréstimo, luvas, comissões a empresas ou agentes):

  • Everton – R$ 270 mil
  • Gonzalo Fierro – R$ 240 mil
  • Vandinho – R$ 400 mil
  • Eltinho – R$ 200 mil
  • Josiel – R$ 1,245 milhão
  • Fernandão – R$ 50 mil
  • Fernando – R$ 250 mil
  • Sambueza – R$ 705 mil
  • Marcelinho Paraíba R$ 1,795 milhão

Jogadores que entraram: nove
Investidos: R$ 5,155 milhões

 

A conta, simples, mostra um superávit de R$ 13,345 milhões. Mas há algo mais a considerar. Vou antecipar um número da série de reportagens especiais sobre as finanças dos clubes que o repórter Fernando Gavini está preparando e você verá em breve na ESPN Brasil. O déficit previsto para 2008 no orçamento aprovado para este ano é de R$ 18 milhões.

Anderson Bamba, Michel e Pedro Beda, três jogadores da base negociados anteriormente, segundo números extra-oficiais renderam R$ 3,5 milhões. Ou seja, na prática o clube não tem dinheiro sobrando para investir, faltaria, ainda, pouco mais de R$ 1 milhão para não ficar no vermelho.

Vejamos de que maneira irá utilizar o que faturou. Quanto ao time, tem tudo para melhorar. Minha opinião: o Flamengo foi bem às compras.

Fonte: Blog Mauro Cezar Pereira

 

O Milan anunciou o retorno do atacante Shevchenko. O ucraniano, ídolo do clube italiano, estava no Chelsea há duas temporadas e será companheiro dos brasileiros Dida, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Alexandre Pato. O jogador chega a Milão no domingo e, no dia seguinte, faz exames médicos e assina contrato com o clube. Não foram divulgados os valores da negociação.

- Depois de uma série de fréneticas ligações durante todo o dia, conseguimos o acordo com o Chelsea. Trouxemos de volta para casa o jogador que, nos últimos 50 anos, mais fez gols com nossa camisa. O presidente Silvio Berlusconi e eu estamos muito felizes, assim como nosso técnico (Carlo Ancelotti) e nossa torcida – diz Adriano Galliani, vice-presidente do Milan, ao site oficial do clube rossonero.

Shevchenko, de 31 anos, defendeu o Milan por sete temporadas, entre 1999 e 2006. Foram 173 gols pelo Rubro-Negro. Em junho de 2006, foi vendido ao Chelsea por 42 milhões de euros (cerca de R$ 100 milhões), mas fracassou no futebol inglês, marcando somente nove gols em dois anos.

- Andriy (Shevchenko) errou ao ir embora e creio que, nestes dois anos, tenha entendido que aqui é sua casa. Agora, fez até alguns sacrifícios econômicos para voltar. Mas o que importa é que o teremos conosco de novo – declara Adriano Galliani. 

 E Alexandre Pato que pegou a camisa de Sheva, a devolverá, conforme já declarou.

Fonte: Globoesporte.com

O meio-campista Thiago Neves, que integrou o elenco da seleção brasileira na conquista da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim, acertou nesta sexta-feira a sua saída do Fluminense e a transferência para o Hamburgo, da Alemanha.

A decisão foi anunciada após uma reunião nesta tarde, que contou com a participação do coordenador de futebol do clube carioca, o ex-jogador Branco, de Thiago Neves e seu procurador, Léo Rabelo, além de Thiago Sonda, representante do grupo investidor que tinha parte dos direitos federativos do meia.

“Fizemos um esforço enorme para tentar segurá-lo, inclusive cobrindo a proposta salarial do clube alemão. Mas, infelizmente, ele mudou de idéia e disse que esta transferência faz parte do seu projeto de vida”, disse Branco, em entrevista ao site oficial do Fluminense.

O meia, um dos destaques do time no vice-campeonato na Taça Libertadores da América, no primeiro semestre, também havia sido sondado por Manchester City, da Inglaterra, e Atlético de Madrid, da Espanha.

Segundo o clube carioca, Thiago Neves deve viajar ainda nesta sexta para a Alemanha. Assim, ele não participará do clássico contra o Flamengo, neste domingo, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro.

O Fluminense ocupa a 15ª colocação do Nacional, com 23 pontos. Com 13 a mais, o Flamengo é o sétimo.

No mesmo dia em que perdeu Thiago Neves, o Fluminense acertou com o zagueiro Edcarlos. O jogador, que foi revelado pelo São Paulo, foi emprestado por um ano e meio pelo Benfica, de Portugal.

Fonte: Folha Online

A janela de transferências do futebol europeu termina na próxima segunda-feira e o atacante Robinho ainda segue sem saber sua trajetória.

Segundo o jornal Marca, o Real refutou uma proposta oficial de 32 milhões de euros (R$ 77,1 milhões) do Chelsea pelo jogador e só o liberaria mediante o pagamento de 40 milhões (R$ 96,4 milhões). Robinho seria um dos nomes da lista de reforços de Felipão que, recentemente, não economizou nos elogios ao ex-santista.

Diante da indefinição, no entanto, o Real Madrid até cogita permanecer com o brasileiro, segundo informa a imprensa esportiva espanhola nesta sexta.

Robinho, que tem ainda dois anos de contrato com o clube merengue terá, porém, que pedir desculpas ao clube e aos torcedores por ter admitido publicamente a sua insatisfação no time madrilenho e o desejo de ir para os Blues. Dois dias depois do “desabafo”, Robinho foi vaiado e chamado de mercenário pela torcida durante a final da Supercopa da Espanha, contra o Valencia, no último domingo.

Ao diário espanhol As, o presidente Ramón Calderón garantiu a permanência do brasileiro. “(Robinho) fica no Madrid sem volta atrás”, anunciou. O jornal escreve ainda que o técnico Bernd Schuster garantiu ao mandatário que reconduzirá o atacante ao time, convencendo a diretoria a mantê-lo no elenco.

Desde o início da novela envolvendo a saída de Robinho, aliás, o treinador alemão mostrou-se confiante na permanência do jogador. O Chelsea, no entanto, ainda não desistiu da negociação. Nesta quinta, o clube londrino anunciou e, poucas horas depois, retirou de seu site a venda de uma camisa amarela com o nome de Robinho. A imprensa espanhola criticou duramente o time inglês pela atitude.

Fonte: ESPN Brasil

O Flamengo acertou a contratação de mais dois jogadores para a seqüência do Campeonato Brasileiro. Os atacantes Fernandão, que atuou pelo América e está no Maccabi Haifa, de Israel, e Josiel, do Al-Whada, dos Emirados Árabes Unidos. Mais cedo, Fernando, do Mixto-MT, já havia sido anunciado.

Além disso, o meia Everton, do Paraná Clube, irá atuar desde já pelo Rubro-Negro e não somente em 2009, como estava previamente acordado. Para isso, o clube da Gávea terá de ceder três jogadores ao Tricolor de Curitiba: O zagueiro Fabrício, o volante Rômulo e o atacante Éder, que ficarão emprestados até dezembro.

“Está tudo acertado. Só falta mesmo eles se apresentarem. Inclusive, o Josiel deve vir direto da Alemanha (onde realiza pré-temporada) para o Rio, em vez de passar antes pelos Emirados Árabes”, confirmou o vice-presidente de futebol do Flamengo, Kleber Leite.

Josiel, que foi artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2007, com 20 gols, ficará na Gávea por empréstimo até julho de 2009. Ao fim do vínculo, o Flamengo poderá exercer a opção de compra dos direitos econômicos do jogador, fixados em cerca de R$ 2 milhões.

Fernandão, que foi rebaixado com o América no último Campeonato Estadual, assinará até o fim de 2009, com possibilidade de renovação por mais quatro anos, assim como o apoiador Fernando.

Fonte: Uol Esportes

A saltadora Maurren Higa Maggi colocou seu nome na história do atletismo brasileiro nesta sexta-feira ao conquistar a medalha de ouro no salto em distância nos Jogos Olímpicos de Pequim. Esta é a quarta medalha de ouro do atletismo brasileiro na história e a primeira feminina na modalidade.

Terceiro esporte com maior número de pódios para o Brasil (13), o atletismo só tinha medalhistas homens, incluindo os ouros de Adhemar Ferreira da Silva nos Jogos de Helsinque-52 e Melbourne-56, no salto triplo, e com Joaquim Cruz, em Los Angeles-84.

Aos 32 anos, a paulista de São Carlos garantiu o salto campeão logo na primeira tentativa com 7,04m, superando a ex-campeã olímpica Tatyana Lebedeva. Pressionada, a russa errou quatro saltos e ficou com a prata, saltando 7,03m. O bronze foi para a nigeriana Blessing Okabare, de 19 anos, com 6,91m. A outra brasileira da prova, Keila Costa, terminou em 11º com 6,43m. 

Chegar ao pódio nesta manhã foi o ponto alto em uma trajetória de recuperação para a saltadora paulista. Depois de participar dos Jogos Olímpicos de Sydney-2000, Maurren acabou ficando fora da competição em Atenas-2004, enfrentando uma suspensão de dois anos por doping.

A brasileira explicou a presença da substância proibida pelo uso de uma pomada cicatrizante após um processo de depilação a laser. Apesar de chorar muito durante a coletiva de imprensa na qual falou sobre o assunto, Maurren nem pediu o exame da contraprova porque tinha planos de ser dona-de-casa e criar sua filha, Sophia, com o piloto Antônio Pizzonia.

Mas em 2006, com o fim da relação, ela retornou às pistas determinada a recuperar a antiga posição de destaque. E voltou com tudo, conquistando o bicampeonato nos Jogos Pan-americanos e se credenciando ao pódio olímpico. Na opinião do técnico Nélio Moura, a saltadora paulista reúne não apenas a capacidade técnica, mas também a determinação necessária para suas conquistas, o que comprovou nesta manhã.

A prova – Sem a participação da portuguesa Naide Gomes, que bateu a brasileira na final do Mundial Indoor, em Valência, mas não obteve marca para a decisão em Pequim, Maurren tratou de se impor desde o começo. Ela abriu a competição chamando o público para marcar as passadas e cravando 7,04m para superar o desempenho de Lebedeva, até então líder com 6,97m.

O resultado colocou toda a pressão sobre a russa, campeã olímpica da prova na Grécia com 7,07m. A européia queimou seus três saltos seguintes, mas a vontade de melhorar ainda mais o salto inicial levou a brasileira a seguir o mesmo exemplo nas outras três tentativas.

Lebedeva repetiu a dose no penúltimo salto e Maurren fez um salto de segurança. Para evitar mais uma queima, nem pisou na tábua de impulsão e fez 6,73m.

No último salto, Lebedeva foi para o tudo ou nada, mas não superou a marca da brasileira. Keila queimou seus dois primeiros saltos e conseguiu apenas 6,43m na terceira tentativa, parando ainda na primeira rodada. A brasileira terminou a disputa em 11º lugar.

Fonte: ESPN Brasil

Adorado e criticado na mesma intensidade, o locutor, que é a voz do esporte no País, avisa que vai pendurar as chuteiras. Mas, antes do pit stop, quer lançar um livro sobre as histórias de sua carreira

Livio Oricchio

Aviso do locutor mais polêmico da televisão brasileira, tido como um torcedor de microfone nas mãos, a voz do esporte no País, capaz da proeza de ser amado e duramente criticado ao mesmo tempo, durante décadas: “Meu contrato com a Globo vai até 2014, quando o Brasil vai organizar a Copa do Mundo, será a minha décima Copa, e depois chega.”

É engraçado, não? Galvão Bueno gera empatia e rejeição em milhões de brasileiros, nas transmissões de tudo, jogos de futebol, vôlei, corridas de automóvel, luta de boxe, abertura de olimpíada, copa do mundo e até desfile de escola de samba. Mas mesmo seus críticos mais contundentes, ao menos a maioria, mantêm a TV sintonizada na Rede Globo, ainda que haja outra emissora transmitindo o evento. Os números comprovam a audiência.

Nessa conversa franca, sem policiamentos, Galvão Bueno fala da sua paixão intacta pelo que faz, do significado, e desgaste, de entrar na casa das pessoas há 30 anos, sobre seus planos de dedicar-se mais à família, “meu grande combustível”, de escrever um livro, da frustração de não ser piloto de carros, de jornalismo esportivo e da aversão à política. “Candidato, eu? Nem sob tortura.”

Como você consegue manter-se por tanto tempo como principal locutor da Globo, narrando de tudo? Você acha que as pessoas ainda identificam-se com você ou estão cansadas?

Há um público cativo que me adora e, claro, ninguém entra na casa das pessoas por 30 anos, quase todos os dias, sem incomodar um pouco. Mas a Globo faz pesquisas constantes de aceitação e rejeição do público e o resultado é altamente positivo. Claro que existe rejeição, mas mantém-se nos níveis mínimos.

Há alguma técnica especial para continuar agradando, de acordo com o levantamento da Globo?

Eu mexo com os produtos mais explosivos que existem, paixão e emoção. Futebol é isso. Fórmula 1 é um pouco diferente, mais técnica. Nas disputas de futebol entre clubes, essa paixão é dividida, o que não é o caso da seleção brasileira, mas todos mexem com a emoção das pessoas. E isso me agrada muito, é o que eu sei fazer, embora trabalhe no fio da navalha. De um lado se explora essa paixão e emoção e do outro entra a informação. Temos sempre de buscar o equilíbrio. Lembro-me de a dona Neide, mãe do Ayrton (Senna) vir a mim e dizer: ‘Pára com essa coisa de dar toda hora a diferença do Beco (Ayrton Senna) para o Prost, você vai me matar do coração’. A TV é o veículo mais difícil que existe para o esporte. Você não pode se imaginar mais importante que a imagem, senão cai no ridículo, e ao mesmo tempo não minimizá-la ao ponto de se tornar indispensável.

Como você disse, está na ativa há mais de 30 anos, deslocando-se pelo mundo todo. Não pensa em parar?

Meu tesão pela profissão, por meu trabalho, está intacto. Em 1974, narrei a Copa da Alemanha daqui, mas desde então fui a todas. Meu contrato com a Globo vai até 2014, quando o Brasil vai organizar a Copa do Mundo, será a minha décima Copa, e depois chega. Terei 64 anos. Não escondo a idade. Não sou como o Reginaldo Leme (comentarista de automobilismo da Rede Globo), meu amigo de tantos anos. Daqui a pouco eu vou ultrapassá-lo, irei me tornar mais velho (risos). Se fizer alguma coisa depois de 2014 será por aqui, não quero mais ficar pendurado no rabo de avião.

Há alguém na sua área, outros locutores de esporte, por quem você tenha uma admiração profissional?

Temos ótimos profissionais, como o Luciano do Valle, grande narrador, o Cléber Machado é consagrado e o Luis Roberto (de Mucio)a pessoa que melhor se prepara para isso. Na TV, as pessoas de texto vinham dos jornais, os papagaios, como eu, do rádio, mas hoje há uma nova escola, a da TV fechada, por assinatura. A Globo tem dois canais de esporte, SporTV, 24 horas no ar, precisa de narrador, comentarista, editor, produtor, em quantidade. Dessa quantidade sai a qualidade. E tem mais: o esporte ocupa cada vez mais espaço na grade das emissoras. Há 26 anos, quando comecei na Globo, nosso espaço era muito menor. Em 2008, vamos transmitir 30 corridas, 18 de Fórmula 1 e 12 de Stock Car.

Sua fama é de ser um dos profissionais mais bem pagos da TV?

E sou. Não tenho vergonha do que ganho, do sucesso e, principalmente, de ser feliz. Dou a minha parte de volta. Realizo um trabalho social com imenso carinho, criei a Fundação Galvão Bueno, em Londrina (no Paraná, onde reside) da qual minha mãe é a presidente. Atendemos idosos carentes, estamos terminando a primeira parte de uma obra de 9 mil metros quadrados, o Centro de Convivência do Idoso. Damos assistência médica, distribuímos remédios e, ao mesmo tempo, os ocupamos com atividades como construção de mesas. Começamos, agora, um programa de assistência odontológica. Um ônibus equipado com recursos modernos percorre as comunidades mais pobres no norte do Paraná. Faço eventos para levantar recursos, como leilões. O Felipe Massa doou um macacão e conseguimos R$ 70 mil, a camisa autografada do Rogério Ceni deu R$ 18 mil, uma camisa do Santos com a assinatura do Pelé, R$ 28 mil. Segui o exemplo de alguns jogadores, que também têm suas instituições, como Raí, Jorginho, Cafu.

Nem todos conhecem esse seu lado mais humanitário, ao contrário, há quem o veja como uma estrela.

É, dizem que falo muito, sou prepotente, sou estrela. É completamente diferente ser e agir como estrela. Ser é prestar um serviço importante. E não me lembro de ter agido como estrela. Sou, isso sim, perfeccionista, cobro demais.

A torcida nos estádios nem sempre demonstra gostar de você.

Essa história começou na Copa de 1998, a torcida brasileira expunha os cartazes ‘filma eu, Galvão’ . Depois surgiram outros e até cantos, duros, do tipo ‘Galvão, veado’; faz parte dos grandes jogos, do folclore. Mas a maioria gosta de mim, nunca sofri uma tentativa de agressão, saio e entro dos estádios com minha família e muitos pedem autógrafo.

Os telespectadores te vêem pelo Brasil inteiro e em países como China, África do Sul, México, Austrália, Bolívia. Sobra tempo para a família?

Sou muito ligado na família e nos amigos. Tive a felicidade de ter tido três filhos no primeiro casamento, os três vivem do esporte. A Letícia tem sua empresa de marketing esportivo, o Cacá e o Popó são pilotos. Do segundo casamento, com a Desiré, a estrela de minha vida, tenho o Luca, mais o filho dela, o Leo, e há ainda os meus dois netinhos. A minha família é a maior vitória da minha vida. Amo reunir meus pais, meus sogros, todos moram em Londrina, os amigos, ficar 4, 5 dias sem sair de casa, viver um pouco distante da enorme pressão do que faço. Nada me dá mais prazer. Tenho uma fazenda no norte do Paraná, adoro reunir todo mundo lá, minha família é o meu combustível.

Seus filhos são pilotos da Stock Car. Você perdeu um grande amigo, o piloto Ayrton Senna, num acidente nas pistas. Isso não o preocupa?

O interesse deles pelo automobilismo é natural. Cresceram no meio. Nós tínhamos casa em Angra dos Reis que era freqüentada pelo Ayrton Senna, por Mauricio Gugelmin, dentre outros. Ouviam falar de corrida o tempo todo. Agora, no automobilismo, sem talento você não se torna um vencedor. E meus dois filhos têm títulos. Penso que o Cacá (bicampeão da Stock Car), hoje, é o melhor piloto brasileiro fora os que estão na Fórmula 1. Você falou de acidente. Eles estão há tantos anos nessa vida, o Cacá começou com 9 anos e o Popó com 8, ambos no kart. O único acidente sério foi do Popó, em Monza (Fórmula Renault). Tenho, sim, receio, mas é muito menor que se não fosse do meio. Aliás, pratiquei quase todo tipo de esporte, mas me frustra não ter sido piloto. Meus filhos e o meu trabalho representam uma forma de eu me realizar.

Você estava lá, em Ímola, Itália, naquele 1º de maio de 1994. Hoje, quase 14 anos depois, o que te vem à mente da sua relação de amizade com o Ayrton Senna, das experiências vividas junto, das viagens?

As imagens que mais me vêm à cabeça são do Ayrton moleque, brincalhão, mas ao mesmo tempo muito determinado, da sua doação social sem dizer nada a ninguém. Lembro-me, também, de passagens que acabaram sendo determinantes para tudo acabar como acabou. Uma ocasião, o Flavio Briatore (diretor da Benetton) telefonou e eu atendi, na casa do Ayrton. O Flavio queria falar com ele e como o Ayrton não pôde atender, o Briatore pediu para mim que solicitasse ao Ayrton para não assinar com a Williams. A Ferrari, da mesma forma, queria ele. Mas o Ayrton comentou comigo que já estava três anos sem título e não pretendia permanecer outros três, até a Ferrari ser competitiva de novo. Infelizmente uma fatalidade o levou. Se o braço da suspensão tivesse tocado o capacete um centímetro mais para baixo ou para cima não teria acontecido nada. O Nelson Piquet e o Gerhard Berger sofreram acidentes mais graves na Tamburello e não se feriram com gravidade.

E o seu livro, contando um pouco desses mais de 30 anos de experiências ricas?

Eu já tinha até o nome: ‘25 anos de estrada”. Mas aí por conta da absoluta falta de tempo e até um pouco de preguiça o transformei em ‘30 anos de estrada’. Só que já são 34 anos de estrada e nada. Mas irei escrevê-lo. Não tenho a presunção de contar minha história. O interessante será contar as experiências vividas com personagens como Pelé, Zico, Rivellino, Romário, Ronaldo, Ayrton Senna, Nelson Piquet, Oscar, Felipe Massa, Rubens Barrichello, Hortência.

A popularidade que você tem o levaria a eleger-se em algum cargo público. Não pensa nisso?

Nem sob tortura. Já recebi vários convites, não tem a ver com minha personalidade, a política no Brasil me dá muita tristeza, quero distância.

Enfim uma boa notícia…

Fonte: Jornal da Tarde